Nascer no lugar onde jaz

Dias há em que a língua teima em ficar presa no copo. O álcool sempre foi o melhor adubo das palavras, cresço em conversas para cima de metade da população residente do Bonaparte. Com a Foz nas costas, misturo água doce com água salgada, eternizo os assuntos e fica impossível que alguém que chegue entretetanto, consiga entrar na tertúlia. Como um barco nocturno em situações de mar revolto.

O espaço que concedo serve apenas para a entrada ao serviço de contra-mestres experimentados. Por esta altura, qual farol saído do nada, Isabel faz por mim a despesa da taberna, aponta a porta de saída, até amanhã a todos, depois falas com eles mais sóbrio. Tem um braço à minha espera e mamas quentes para a minha paz ao anoitecer por baixo dos lençóis. Sei que lá fora há candeeiros de ferro a luz fosca. O rio chega ao fim no lugar onde renasço invariavelmente à hora do amor escondido. Esse amor fica sereno a escutar o adormecer de uma conversa de vários copos. A língua tem destas coisas. Ora prende, ora liberta…  mas só se confia realmente livre quando escutada por esta mulher nua que se agasalha com o meu corpo.

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